Este blogue pretende dar a conhecer à população em geral o nome das ruas do concelho, sua localização, história do topónimo e histórias da própria rua. Todos podem contribuir com imagens, histórias, referências ou apontamentos enviando-os para o email genealogiadoalgarve@gmail.com. Os topónimos serão apresentados por ordem alfabética, começando pelas avenidas.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
BECO DA ABICADA
BECO ANTÓNIO VICENTE DE CASTRO
TOPONÍMIA:
O Beco António Vicente de Castro localize-se na zona recentemente urbanizada do Vale de Lagar.
O Beco António Vicente de Castro tem como única ligação a Rua António Vicente de Castro.
BECO D. JOÃO II
BECO ALEXANDRE HERCULANO
Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo(a nota biográfica será apresentada em breve na mensagem dedicada à Rua Alexandre Herculano)
AVENIDA PAUL HARRIS
Paul Percy Harris (19.04.1868-27.01.1947)Natural de Racine, Wisconsin (Estados Unidos da América), sendo o segundo duma fratria de seis irmão, foi criado pelos avós paternos, em Vermont, a partir dos três anos de vida.
Em 1896, estabeleceu-se em Chicago, onde exercia a advocacia.
Construída na década de 1990, para ligar a Estrada de Monchique com a V6, através da construção do Tunel das Cardosas, esta estrada passa por antigos terrenos agrícolas e promoveu a urbanização dessa área. Sendo a principal via de entrada e saída de Portimão, não possui qualquer edifício com entrada directa para a avenida, mas é a principal entrada para a nova Urbanização da Raminha.


Avenida Paul Harris na década de 1990 (foto do arquivo da C.M.P.)
AVENIDA ZECA AFONSO
Filho de um Procurador da República, não acompanhou o progenitor na sua ida para Angola por motivos de saúde, ficando entregue aos cuidados de um casal de tios.
Viveu em África (Angola e Moçambique, depois de uma breve passagem pela sua terra natal) entre 1932 e 1938, ano em que regressou a Portugal, indo viver para Belmonte, na casa do seu tio Filomeno, Presidente da Câmara dessa localidade.
Obrigado pelo tio, fervoroso salazarista, chegou a envergar a farda da Mocidade Portuguesa.
Em 1940, José Afonso muda-se para Coimbra, começando a cantar quando frequentava o 5º ano do Liceu. Nessa cidade, frequenta as Repúblicas, cantando fados de Coimbra, tendo chegado a jogar futebol na Académica.
Em 1958 é professor em Alcobaça, tendo editado o seu primeiro disco nesse mesmo ano.
Em 1964, regressa a Moçambique, onde foi professor do Liceu. Nesse país inicia uma actividade política anti-colonial, que lhe traz problemas com a PIDE e a administração da Colónia, tendo sido detido por diversas vezes.
Regressado a Portugal em 1967 é colocado como professor em Setúbal. Entre este ano e 1970, torna-se um símbolo da resistência democrática, mantendo contactos com o PCP e a LUAR.
Em 1971, edita o disco que contém a música Grândola Vila Morena, que três anos depois será utilizada como senha para o início da Revolução de Abril.
Após o 25 de Abril, manteve forte actividade política, tendo apoiado a candidatura de Otelo Saraiva de Carvalho à Presidência da República, em 1976. Dez anos depois, veio a apoiar nova candidata presidencial, desta feita Maria de Lurdes Pintassilgo.
No ano de 1983, realizaram-se os seus dois últimos espectáculos, nos Coliseus de Lisboa e do Porto. Gravemente doente, recusa a Ordem da Liberdade que lhe é atribuída no final desse mesmo ano.
Em 1985, apesar da doença, ainda conseguiu editar o seu último disco.
Veio a falecer no Hospital de Setúbal, vítima de esclerose lateral amiotrófica.
Editou a seguinte discografia:
Balada do Outono (1960); Baladas de Coimbra (1962); Ó vila de Olhão (1964); Cantares de José Afonso (1964); Baladas e canções (1964); Cantares de andarilho (1968); Contos velhos rumos novos (1969); Menina dos olhos tristes (1969); Traz outro amigo também (1970); Cantigas do Maio (1971); Eu vou ser como a toupeira (1972); Venham mais cinco (1973); Coro dos tribunais (1974); Viva o poder popular (1974); Grândola, vila morena (1974); Com as minhas tamanquinhas (1976); Enquanto há força (1978); Fura fura (1979); Ao vivo no Coliseu (1983); Como se fora seu filho (1983); Galinhas do mato (1985)
A Avenida Zeca Afonso terá sido aberta com a construção do Estádio do Portimonense, na década de 1970, sendo popularmente conhecida pela rua do estádio do Portimonense, ou por Rua do Portimonense. Até ao início da década de 1980 aí e pelas ruas envolventes realizava-se a Feira de São Martinho e, até à década de 1990 ainda era possível ir ao circo que era montado no espaço onde se encontra a sede da EMARP.


Avenida Zeca Afonso durante as obras de remodelação do Estádio do Portimonense
(foto de Nuno Campos Inácio)
AVENIDA SÃO LOURENÇO DA BARROSA

Não querendo contrariar esses historiadores, até porque não tenho formação em história vou apresentar, para reflexão, um conjunto de dados que parecem contradizer essa certeza.
Vejamos:
No actual Município de Portimão foram encontrados vestígios de ocupação do período Neolítico (Alcalar), Fenícia (tanques de salga), Romana (Sítio da Abicada, Coca Maravilhas, além de vários topónimos de origem romana espalhada por todo o concelho).
Não querendo ir ao ponto de confundir Portimão com a cidade de Portus Annibalis, fundada por Aníbal Barca, é um facto que o espaço actualmente ocupado pela cidade de Portimão sempre teve ocupação.
Importa agora saber se essa ocupação era isolada ou acidental, ou se, pelo contrário, em algum ponto havia uma concentração urbana, permanente e organizada, que se chamasse Portimão ou com outro nome qualquer.
O documento mais antigo que descreve a foz do Arade é a Crónica do Cruzado Anónimo, feita na Conquista de Silves de 1189.
Nessa crónica, o Cruzado fala de Alvor e descreve a subida para o porto de Silves, dizendo: "No terceiro depois do meio dia avistámos em ruínas o castelo d'Alvor, situado sobre o mar, que os nossos tinham expugnado e outros lugares desertos, cujos habitantes haviam sido mortos em Alvor. Não longe d'ali entrámos no porto de Silves encontrando a terra optimamente cultivada, mas sem habitantes, por terem fugido todos para a cidade."
Não nos diz o cruzado, que não havia construções, antes pelo contrário, pois afirma que a terra estava sem habitantes por terem fugido todos para a cidade de Silves.
A falta de referência de uma povoação na foz do rio, poderá ter a ver com a sua pouca importância face a Alvor ou a Silves, mas não indica inexistência.
Mas o Cruzado diz-nos algo mais concreto sobre as povoações que foram conquistadas:
"Estes são os castelos de que os Cristãos se apoderaram depois da conquista de Silves: Carphanabal (Sagres), Lagus (Lagos), Alvor, Porcimunt, Munchite (Monchique), Montagud, Caboiere (Carvoeiro), Mussiene (Messines), Paderne."
Como vemos, o cruzado refere outras povoações menores que foram conquistadas após Silves, que não tinha referido antes, mas seguindo uma linha de ordem geográfica.
Se virmos, as povoações conquistadas foram: Sagres, Lagos, Alvor, Porcimunt (será Portimão), Monchique, Montagud (será Ferragudo), Carvoeiro, Messines e Paderne.
Duas localidades não estão devidamente localizadas, ou são alvo de discórdia, uma é Porcimunt, a outra Montagud.
Para Porcimunt há quem apresente Portimão, ou Porches.
Na minha opinião só pode ser Portimão, pois o cruzado segue uma ordem geográfica e localiza Portimunt entre Alvor e Monchique. Depois apresenta Montagud e Carvoeiro.
Como se sabe, geográficamente Porches fica depois de Carvoeiro e não antes.
Antes de Carvoeiro, a povoação que mais se assemelha a Montagud é Ferragudo, com a agravante de se localizar na encosta de um monte, que é ponteagudo.
O facto de referir primeiro Porcimunt, seguido de Monchique e só depois Montagud, terá a ver, exactamente, com o seu cuidado em situar geograficamente cada uma das localidades conquistadas.
Temos, assim, razões para crer que Porcimunt seja a actual cidade de Portimão. Mas, se não quisermos aceitar as mesmas, outras há que indiciam a existência de Portimão antes de 1463.
Uma delas é documental. O Foral atribuído à então Vila Nova de Portimão por D. Manuel I, faz referência a outro dado à mesma vila "por D. Afonso, que foi Conde de Bolonha", ou seja, pelo Rei D. Afonso III (1248-1279).
Deste modo, quando da conquista definitiva do Algarve já Portimão existia, com importância suficiente que justificasse a atribuição de um Foral.
Mais prova documental da existência de Portimão antes da fundação de São Lourenço da Barrosa, encontramo-la na Torre do Tombo, com indivíduos que aparecem como naturais dessa localidade.
De 26 de Abril de 1435 é um processo contra Vasco Peres, morador em Portimão, termo de Silves, onde era acusado de danificar colmeias.
De 10 de Julho de 1438 é, como consta na mensagem relativa à Carta de Brazão de Armas de Gil Simões, a atribuição do brazão a Gil Simões e ao seu irmão, naturais de Portimão.
Pelo menos estes 3 indivíduos, que terão nascido c. 1400, eram naturais da localidade de Portimão, mas teremos que acrescentar, pelo menos, os pais e familiares directos de cada um, sendo que Vasco Peres não terá nada a ver com a família de Gil Simões.
Outro documento que refere a existência de Portimão antes de São Lourenço da Barrosa é o Livro do Almoxarifado de Silves do Século XV. Ainda que a elaboração do livro seja de 1474, ou seja, 11 anos depois da fundação de São Lourenço da Barrosa, o mesmo baseia-se em documentos anteriores, alguns de 1438; neste livro, quando se delimita o Reguengo do Castelo do Ninho, faz-se referência a uma “comeada que vay vertendo auguas pêra Bouna e pêra Aldea Noua e uem entestar pola comeada em Bouna…” Como se sabe, a Ribeira de Boina é um dos afluentes do Rio Arade, pelo que, a Aldeia Nova referida no Livro do Almoxarifado de Silves só pode ser Aldeia Nova de Portimão, que subiu a Vila Nova de Portimão com a conclusão das muralhas.
Em 24 de Maio de 1466 (3 anos depois do pedido para a fundação de São Lourenço da Barrosa), D. Afonso V concedeu licença a Álvaro de Teivas para fazer uma barca de passagem no rio do “logar de Portimão”, e haver a sua renda. No entanto, esta barca não foi a primeira, pois o Livro do Almoxarifado de Silves do Séc. XV diz que “a barca de passagem que anda aa foz a qual ssoya d andar arrendada com a passagen d Aluor e ora traz Aluaro de teiuas a quem el Rej della ffez mercee per ssua carta.” Temos, assim, que a barca de passagem já existia antes de 1466, mas era detida pela mesma pessoa que explorava a barca de passagem de Alvor. Falta descobrir de quando é o foro da barca de passagem de Alvor, mas será certamente anterior a 1463, pois nem é referido no livro do Almoxarifado.
Temos, assim, comprovação documental da existência da localidade de Portimão antes de São Lourenço da Barrosa.
Outro dado relevante, surge no próprio pedido para a fundação de São Lourenço da Barrosa. Tal pedido é feito por 40 moradores do sítio de Portimões. Este Portimões será um plural de Portimão, ou o próprio nome da localidade mal escrito. Não raras vezes, até em assentos de baptismo mais recentes, os padres escrevem mal o nome das localidades, dando origem a enormes confusões.
Vejamos o texto do pedido de fundação de São Lourenço da Barrosa, segunda a leitura do medievalista José Manuel Vargas:
1463, Agosto, 4 - Carta de criação da povoação de S. Lourenço da BarrosaDom Afonso, cet.A quantos esta carta de contrauto virem, fazemos saber que:
Como podemos verificar, entre os fundadores há um João de Portimão, que terá adoptado por apelido o nome da terra de onde seria natural, situação normal para a época.
No entanto, uma análise aos registos paroquiais, que na freguesia de Portimão começam em 1575, podemos verificar facilmente que a maioria dos apelidos destes 40 moradores se mantém 100 anos depois. Mas muitos outros há que não constam nesta lista que, por exemplo os processos do Tribunal do Santo Ofício referem, que aqui terão nascido cerca do ano 1500, como é o caso dos Gramaxo, ou dos Fernandes, cristãos-novos ou judeus que tiveram problemas com a Igreja.
Teriam estas famílias, na maioria dotadas de património, sendo que alguns eram mercadores, vindo para uma localidade que teve na sua base apenas 40 moradores?
Não me parece e os registos paroquiais também parecem não acompanhar essa teoria.
Em 1576 foram baptizadas em Portimão 64 crianças
Em 1577 foram baptizadas em Portimão 109 crianças
Temos assim, em dois anos, 163 crianças nascidas, ou seja, 163 casais capazes de procriar ao mesmo tempo.
No entanto, a população não era apenas constituída por casais em condições de procriar e nem todos os casais em condições de procriar tiveram filhos nestes dois anos.
Os assentos de baptismo fazem disso prova, pois apresentam uma série de padrinhos que não aparecem como pais, além de referirem pessoas que são solteiras, ou não podem ter filhos.
Por alto podemos dizer com alguma certeza que em Portimão, em 1575, haveriam pelo menos 250 casais em condições de procriar, ou seja 500 pessoas. Sendo o número de filhos elevado, haveriam mais de 500 crianças e não menos de 500 outros indivíduos velhos, solteiros, estéreis, ou vindos de outras localidades. Isto dá uma população de 1500 indivíduos, que a pecar será por defeito.
Um outro dado relevante sobre a estrutura social da época é dado pelos escravos. Entre 1576 e 1580 nasceram em Portimão 23 filhos de escravos, sendo identificados escravos homens e mulheres que, no total, rondarão os 50. É um número bastante significativo, o que demonstra uma posição social elevada das gentes da vila.
Poderia uma localidade fundada por apenas 40 moradores, sem uma outra base sólida já existente, sofrer tamanha mudança em apenas 100 anos, num período em que a população era rara, com uma taxa de mortalidade elevada e com muitos movimentos migratórios para as colónias?
Pessoalmente acho pouco provável, pelo que defendo que São Lourenço da Barrosa poderá ter ajudado ao desenvolvimento da localidade de Portimão, mas não foi a sua fundadora.


Avenida São Lourenço da Barrosa em 2011 (Foto de Nuno Campos Inácio)
AVENIDA RIO ARADE
Desconhece-se a origem do nome Arade, mas o rio aparece em praticamente todos os documentos até ao Século XX com o nome de “Rio de Silves” e, no livro de Almoxarifado de Silves do Século XV, como rio de Aldeia Nova (sobre esta questão haverá maior desenvolvimento no texto relativo à Avenida São Lourenço da Barrosa).
Independentemente do nome, o rio Arade esteve na base do desenvolvimento da cidade de Portimão como antes estivera no desenvolvimento da cidade de Silves, quando era navegável até lá. Até ao Século XII Silves era uma importante cidade portuária (a maior a Sul do Tejo), com fortes ligações comerciais com o Norte de África e o Oriente.
Com o desenvolvimento de Portimão como cidade portuária Silves entrou em declínio, agravado pelo crescente assoreamento do rio, que deixou de ser navegável a partir do início do Século XX. Com a construção da Barragem do Arade, nos 1940, o caudal do rio diminuiu e, actualmente, apenas pode ser subido por barcos de pequeno porte.
Próximo da foz, encontra-se um importante espaço de nidificação de aves, sendo área protegida.
O rio Arade tem 3 afluentes: Riberia do Arade, Ribeira de Boina e Ribeira de Odelouca e 2 barragens, a do Arade e a do Funcho.
Para protecção das povoações junto à foz do Arade, no Século XVII foram construídas as fortificações de Santa Catarina e de São João.
No início do Século XX as margens do rio foram ocupadas por diversas fábricas de conserva de peixe, que contribuiram decisivamente para o desenvolvimento industrial e comercial da cidade de Portimão.
Próximo da foz foi construída em finais do Século XX uma marina, conquistando uma parte do estuário, entre a fortaleza e a antiga Ponta da Areia. O porto comercial passou a servir como porto de cruzeiros e, em 2009, iniciou-se uma carreira de ligação marítima entre Portimão e a Ilha da Madeira. Na margem esquerda do rio foi construído o porto de pesca e está prevista a construção de uma nova marina.





AVENIDA SÃO JOÃO DE DEUS
Topónimo anterior: Avenida da República
Natural de Montemor-o-Novo, faleceu em Granada, Espanha.
Santo da Igreja Católica. Beatificado em 21.09.1638 pelo Papa Urbano VIII, foi canonizado em 16.10.1690, pelo Papa Alexandre VIII.
Fundador da Ordem dos Irmãos Hospitaleiros. Patrono dos hospitais católicos. Protector, juntamente com S. Camilo de Lélis, dos enfermeiros católicos e sua associações.
Aos 8 anos, após ouvir as palavras de um peregrino, fugiu de casa dos pais rumando a Espanha, em busca de novidades e aventuras.
Tal acontecimento viria a marcar profundamente a sua família. A mãe, faleceu vinte dias depois do seu desaparecimento, enquanto o pai viria a terminar os seus dias num convento de Franciscanos.
Acolhido em casa de um homem rico, trabalhou para este, até sentir a pressão de vir a casar com a filha do seu patrão, que se enamorara dele.
Abandonando a casa de acolhimento, João Cidade alistou-se na força que o Conde de Oropesa reunia, contra os franceses. Tomou parte na guerra de Navarrra e esteve presente no cerco de Fuenterrabia.
Contando então 25 anos de idade, foi condenado à morte quando um rico depósito que lhe fora confiado pelo seu capitão desapareceu misteriosamente. Ia a caminho da forca quando um oficial superior decidiu que a expulsão do exército era pena suficiente para a sua falta, salvando-lhe a vida.
Alistando-se, então, nas campanhas contra os Turcos no centro da Europa, chega a combater em Viena e, terminada a missão, vai a Santiago de Compostela como peregrino.
Depois de passar pela sua terra natal, regressou a Espanha, trabalhando como guardador de gado em Sevilha. Daí, seguiu para Ceuta, onde trabalhava como pedreiro nas muralhas e ajudava enfermos e necessitados com o que ganhava.
Regressando a Espanha, torna-se vendedor ambulante de livros e imagens, percorrendo várias cidades do sul do país. Foi no exercício dessa actividade que, aos 42 anos de vida, chegou a Granada, instalando nessa cidade a sua livraria.
A vida de João Cidade sofreu uma brusca alteração quando, em 20.01.1537, pregou em Granada S. João de Ávila. Tocado pelas palavras do Santo, arrependeu-se dos seus pecados e, abandonando o templo, correu pelas ruas da cidade, gritando: “Misericórdia, Senhor, misericórdia!”
Tomado por louco, as pessoas começaram a injuriá-lo, atirando-lhe pedras e imundices.
Depois desse dia, João Cidade distribuiu tudo o que possuía pelos pobres, iniciando uma vida de tão rigorosa penitência, que, tomado por doido chegou a ser internado num hospital de alienados, onde o tratamento dado aos doentes era o rigor e a agressão física.
Apesar de não protestar pelos sofrimentos que lhe eram perpetrados, defendia os outros, dizendo: “Cruéis, perversos, verdugos; tende compaixão desses desgraçados, que estão inocentes. E quereis que esta casa se chame instituição de caridade?”
Forçado a alterar a sua atitude por S. João de Ávila, dedicou-se então a tratar os doentes.
Reunindo esmolas, construiu um amplo e bem organizado hospital em Granadas, dando início à Ordem dos Irmãos Hospitaleiros.
Adoptando o nome de João de Deus, percorria diariamente a cidade de Granada, pedindo esmola para os pobres que tinha a seu cuidado. Diariamente surge diante do Arcebispo com uma roupa diferente, cada vez mais usado e rasgado, pois, sempre que encontrava algum mendigo com um traje pior do que o seu, trocava com esse a sua própria roupa.
Em 1550, o hospital é fustigado por um incêndio. João de Deus enfrenta as chamas e salva todos os doentes, sem sofrer absolutamente nada. Depois, acossado por uma doença grave, pressentindo a hora morte, levanta-se da sua cama e deita-se no chão, apertando ao peito um crucifixo e exalando o último suspiro.
Toda a cidade de Granada desfila, então, diante de S. João de Deus.
O corpo de S. João de Deus venera-se na sua basílica de Granada.
TOPONIMIA:
Avenida tipicamente urbana, nela funciona, além do hospital supra referido, o Mercado Municipal e a Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes, sendo, ainda, uma artéria marcadamente comercial, nela funcionando, além de várias lojas de móveis e decoração, uma farmácia, uma agência funerária e a representação em Portimão da TV Cabo.
Avenida São João de Deus vista da torre da Igreja Matriz (foto de Nuno Campos Inácio)
AVENIDA TOMÁS CABREIRA
Natural de Tavira, faleceu na mesma cidade.
Doutorou-se na Faculdade de Ciências, em 1916.
Professor, leccionou na Escola Politécnica e na Faculdade de Ciências de Lisboa.
Republicano convicto, foi vereador da Câmara de Lisboa em 1908, ano em que foi desterrado para Elvas, em inactividade, por ter discursado num comício eleitoral, o que originou protestos por parte dos seus alunos.
Ministro das Finanças entre 09.02. e 23.06.1914, no governo de Bernardino Machado, foi autor de vários projectos de lei notáveis.
Foi autor de várias obras, das quais se destacam:
A Defesa Económica de Portugal; A Escola Primária Agrícola; A Politica Agrícola Nacional; A Questão Corticeira; Crédito Comercial e Industrial; O Algarve Económico; O Problema Bancário Português; O Problema Financeiro e a Sua Solução; O Problema Militar; O Problema Tributário Português; Princípios de Estereoquímica; Sobre a Composição da Linguagem de Alguns Povos Pré-Históricos; Tarifas Ferro-Viárias; Zonas de Turismo.
Francisco Bivar Weinholtz era o grande proprietário dos terrenos da Praia da Rocha, onde foram construídas as habitações mais antigas, entre o Hotel Viola e a Fortaleza de Santa Catarina. A ausência de uma panóplia de proprietários permitiu uma maior organização do espaço e a expansão das habitações ao longo da via rodoviária, actual avenida.
A avenida foi crescendo ao ritmo da evolução turística da Praia da Rocha. Como facilmente se comprova pelas imagens que a seguir seguem, numa primeira fase a avenida tinha inicio no Hotel Viola e terminava pouco depois do casino, sendo ainda a estrada em terra batida. Para o lado do actual Hotel Júpiter em direcção ao Miradouro, havia apenas um estreito caminho, acompanhando o muro da propriedade agrícola que ocupava esse espaço.
Outrora ponteada por vivendas de gente ilustre (entre os proprietários dos chalet’s contavam-se: Tomás Henrique Leiria Pinto, Joaquim Agostinho Fernandes, Jerónimo Negrão Buisel, José Severo Ramos, João Josino da Costa, Cristobalina Feu, família Pincarilho, João António Júdice Fialho, Cayetano Feu Marchena, Francisco d’Almeida de Bivar Weinholt, António Júdice Magalhães Barros, António Feu, João António Simões Tavares, José Pereira Mimoso, António Pacheco Teixeira Gomes, António Ramos e Francisco Alvo Júnior), com o desenvolvimento do turismo na Praia da Rocha e o início da especulação imobiliária foi alterando drasticamente a sua arquitectura, actualmente caracterizada pela construção em altura, inciada com a construção do Hotel Algarve.
Na Avenida Tomás Cabreira localizam-se algumas das mais antigas e importantes unidades hoteleiras algarvias, de que se destacam o Hotel Algarve Casino, o Hotel Júpiter, o Hotel da Rocha, o Hotel Bela Vista e o Oriental, construído no local do antigo casino; em termos de património histórico, destaca-se a Fortaleza de Santa Catarina e, como espaços de diversão nocturna, dispõe das discotecas e vários bares e restaurantes. Nesta avenida encontra-se a maior oferta comercial da Praia da Rocha, com estabelecimentos dedicados à venda dos mais variados produtos.
Antigo Pavilhão Avenida, em frente ao antigo casino (foto da colecção de Manuel Mendonça)
Avenida Tomás Cabreira entre o Hotel da Rocha e o Hotel Oriental
Avenida Tomás Cabreira vista da Fortaleza no dia do naufrágio do barco Analisa
Avenida Tomás Cabreira, onde actualmente se encontra a Pizzaria Dolce Vita
Avenida Tomás Cabreira - Anos 1970
Avenida Tomás Cabreira - Anos 1980
Avenida Tomás Cabreira - Anos 1980
Avenida Tomás Cabreira - Anos 1990


