domingo, 3 de julho de 2011

LARGO JÚLIO AMARO

Topónimo anterior: Inexistente
Júlio Amaro (Abrançalha, Abrante, 1931 - Portimão, 24 de Fevereiro de 2007)

Pintor e autor português.
Enquanto pintor, realizou a sua primeira exposição aos 16 anos de idade, no Instituto da Cartuxa.
Discípulo de Abílio Meireles e Mário Passos Reis, trabalhou com Stuart Carvalhais, Leitão de Barros, Fred Kradolfer e Lino António (frescos da sala e do átrio do Tribunal de Guimarães).
Autor de contos, novelas e peças teatrais, foi fundador e encenador do Grupo de Teatro Experimental "Início".
Entre 1961 e 1969, trabalhou como ilustrador numa editora portuguesa de banda desenhada e, sob orientação de Walt Disney, executou trabalhos inspirados nas suas séries infantis. Em 1970 trabalhou em Paris nas Editions Vaillant e Aventures et Voyages, ilustrando várias histórias de escritores Belgas e Franceses.
Foi fundador e encenador do Grupo de Teatro Experimental "Início",
Fundador do periódico "Crónica do Algarve" (1983) e da revista "Til" (2004), de que era editor.
Elegendo a cidade de Portimão como terra de residência, foi-lhe atribuída a distinção de "Munícipe de Mérito" pela Câmara Municipal em 1993.
Foi autor de dois trabalhos de banda desenhada sobre a história da cidade de Portimão.
A sua vasta obra plástica encontra-se espalhada um pouco por todo e país e no estrangeiro.

Peças Teatrais

Encontro com ninguém
Nos ombros a bagatela

Obras Literárias

Portimão Seus Varões e Sua História
Ao Encontro da História e das Lendas de Portimão

Obras Plásticas

Colecção de 50 aguarelas representativas dos locais mais belos e atractivos do Algarve
Retrato a óleo, em tamanho natural, de João Fernandes Leão Pacheco, localizado na alcaidaria de Guanare.
A Refeição, óleo sobre tela, localizado no Museu Diogo Gonçalves, em Portimão
Painéis a óleo da Igreja de Nossa Senhora do Amparo, em Portimão
Banquete Romano, óleo sobre tela, localizado na Churrasqueira da Rocha - Praia da Rocha - Portimão
Autor das capas dos livros "Esta Riqueza Que o Senhor Me Deu...", de João Braz e "Reinventar Portugal", de Nuno Inácio

Exposições Individuais

1947 - Instituto Padre Oliveira - Oeiras
1949 - Casa de Nazaré - Lisboa
1954, 1959 e 1976 - Sociedade Nacional de Belas Artes - Lisboa
1955 - Galeria Babel - Lisboa
1970 - Galeria Giotto - Lisboa
1972 - Câma Municipal de Portimão
1973, 1974 e 1982 - Comissão Regional de Turismo do Algarve
1975 - Galeria do Hotel Balaia - Albufeira e Galeria do Hotel Algarve - Praia da Rocha
1976 - Galeria de Santo António - Lagos
1979, 1980, 1983, 1985 e 1987 - Ateneu Comercial do Porto
1980 - Bodas de Ouro da Casa do Algarve - Lisboa
1981 - Bodas de Ouro da Casa do Algarve - Porto
1981 - Liga dos Amigos de Abrantes
1986 - Galeria Capitel - Leiria
1991 - Universidade de Guanare - Venezuela
1994 - Galeria Euroarte - Lisboa
1994 - Misericórdia de Abrantes

Exposições Colectivas

1955 - Salão Primavera - Sociedade Nacional de Belas Artes - Lisboa
1956 - "Artistas Portugueses" - Barcelona
1959 - Junta de Turismo da Costa do Sol - Estoril
1961 - Salão de Outono - Estorial
1962 - Exposição Antoniana - Estoril
1970 - Artistas de Ar Livre - Casino do Estoril
1975 - Artistas do Algarve -Vilamoura
1975 - Galeria Painel - Lagos
1976 - Imprensa Nacional Casa da Moeda - Lisboa
1977 - Itinerante dos Pintores Representados nos Museus do Algarve
1978 - "Exposição Prémio José Malhoa" - Sociedade Nacional de Belas Artes
1979 - Salão Convívio - Sociedade Nacional de Belas Artes
1982 a 1985 - Salão de Outono - Estoril
1986 - Centro Cultural de Ferragudo
1987 - Pintores do Algarve em Moscovo
1988 - Galeria Antíqua - Porto
1989 - Sopal - Lisboa
1990 e 1993 - Parlamento Europeu - Estrasburgo

Representado

Museu Municipal de Olhão
Museu Diogo Gonçalves - Portimão
Museu Infante Dom Henrique - Faro
Museu Ferreira de Almeida - Faro
Junta Distrital de Faro
Museu Municipal de Gotemburgo - Suécia
Museu de Guanare - Venezuela
Região de Turismo do Algarve
Ateneu Artístico - Sevilha
Câmara Municipal de Portimão
Câmara Municipal de Faro
Câmara Municipal de Lisboa
Câmara Municipal de Abrantes
Ateneu Comercial do Porto
Embaixada da Argentina em Lisboa
Embaixada da Venezuela em Lisboa
Casa de Bragança - Lisboa
Casa de Sabóia - Itália

Distinções

1956 - Artistas Portugueses - Academia de Belas Artes - Barcelona - Medalha de Bronze
1962 - Exposição Antoniana - Estoril - Medalha de Bronze
1985 - Salão de Outono - Estoril - Primeira e Segunda Menção Honrosa
Academia Internacional de Pontzen - Nápoles - Académico de Mérito
Munícipe de Mérito da cidade de Portimão
(in www.genealogiadoalgarve.blogspot.com)

TOPONÍMIA:

O Largo Júlio Amaro existe desde 12.12.2009, data da inauguração do monumento de homenagem a este artista.

LIGAÇÕES:

O Largo Júlio Amaro tem como única ligação a Avenida Melvin Jones.

Monumento a Júlio Amaro, inaugurado em 12.12.2009 (foto de Nuno Campos Inácio)
Monumento a Júlio Amaro, inaugurado em 12.12.2009 (foto de Nuno Campos Inácio)
Inauguração do Monumento a Júlio Amaro (foto de Nuno Campos Inácio)

Inauguração do Monumento a Júlio Amaro (foto de Nuno Campos Inácio)
Inauguração do Monumento a Júlio Amaro (foto de Nuno Campos Inácio)

LARGO HELIODORO SALGADO

Topónimo anterior: Sapal
Heliodoro Salgado (1861-1906)

Jornalista português, nasceu em Santo Tirso, tendo falecido em Lisboa.

Iniciando a sua vida profissional como professor primário, iniciou-se no jornalismo escrevendo para o jornal O Protesto, do Porto.

Filiado na Maçonaria, chegou a pertencer ao conselho da Ordem.

Militante activo do Partido Republicano Português, colaborou em quase todos os jornais republicanos do país, chegando a director de A Portuguesa.

Heliodoro Salgado publicou uma colecção de divulgação denominada Pequena Biblioteca Democrática.

Entre os seus muitos folhetos e brochuras conta-se A Insurreição de 31 de Janeiro, editado em 1894.

Uma das vertentes mais significativas da acção de Heliodoro Salgado foi a luta anticlerical, travada ao longo de anos, em inúmeros artigos de imprensa.

Em 29 de Agosto de 1891, foi preso por delito de imprensa, tendo sido julgado em Junho do ano seguinte.

Em 1900 Heliodoro organiza uma conferência sobre A Revolução Comunalista de 1871, em 1903 sobreReligião e Ciência e, em 1906, uma outra sobre República e Comuna.

Falecido em 1906, foi a enterrar no dia 14 de Outubro.

No ano seguinte ao da sua morte é inaugurado em Lisboa o Centro Republicano Heliodoro Salgado, tendo sido alvo de uma homenagem na sede da Associação de Corticeiros.

TOPONÍMIA:

Antiga zona de Sapal, veio a ser aterrada no início do Século XX. Neste espaço vieram a surgir armazéns e o Cine-Esplanada, tendo servido de terreno para a realização de algumas feiras e como parque de estacionamento.

Actualmente, ai funciona um stand de automóveis e vários cafés, dotados de esplanadas.

LIGAÇÕES:

O Largo Heliodoro Salgado tem ligação com as seguintes artérias: Largo 1º de Maio, Rua D. Carlos I, Rua das Telecomunicações, Rua Cândido dos Reis e Rua Júdice Biker.

Largo Heliodoro Salgado, quando era simples sapal
Largo Heliodoro Salgado nos anos 1950

Largo Heliodoro Salgado em 2010
Largo Heliodoro Salgado em 2010

LARGO GIL EANES

Topónimo anterior: Inexistente
Gil Eanes - Séc. XV

Navegador Português, desconhecem-se as datas de nascimento e falecimento, sabendo-se apenas ser da cidade de Lagos, informação esta que consta das Crónicas da Guiné, no seu capítulo IX: “Como Gil Eanes, natural de Lagos, foi o primeiro que passou o cabo Bojador, e como lá tornou outra vez, e com ele Afonso Gonçalves de Baldaia.”.

Escudeiro do Infante D. Henrique, em 1433 partiu de Sagres com o intuído de dobrar o Cabo Bojador, mas desistiu, regressando desanimado.

Incentivado pelo Infante D. Henrique, que lhe recordou o serviço que faria à Nação e ao Senhor se realizasse tal empresa, Gil Eanes decidiu-se a partir, no ano de 1434, realizando o feito que lhe fora incumbido.

Regressando a Sagres, o Infante armou-o cavaleiro e deu-lhe várias recompensas.

Dobrado o Cabo Bojador, abriu-se caminho à navegação para Sul.

Gil Eanes que abriu o caminho, quis também alargar horizontes, participando na exploração da Costa Ocidental Africana. Nesta campanha, alcançou Angra dos Ruivos (1435), chegou às Ilhas de Naar e Tider (1444), aportou em Arguim (1445) e na Gâmbia (1446).

Depois destes feitos, o nome de Gil Eanes desaparece das crónicas, desconhecendo-se como e onde terá terminado a sua vida.

TOPONÍMIA:

Antigo Largo do Mercado, onde se vendia gado, ainda recentemente eram visíveis os bebedouros dos animais, próximo de onde se encontra a Estação dos Correios.

Alvo de requalificação, o largo de terra batida foi transformado em jardim e parque infantil, com um espaço para a prática de jogos.

No Largo Gil Eanes encontra-se uma Estação dos Correios. Num dos extremos do largo, existe um avião antigo sobre um alicerce de betão.

Em frente ao jardim, encontram-se os armazéns da célebre firma Cristinalda, criadora do licor Brandymel, feito à base de medronho e mel, cuja fama há muito que ultrapassou fronteiras.

LIGAÇÕES:

O Largo Gil Eanes tem ligação com as seguintes artérias: Rua Infante D. Henrique, Rua de São Pedro, Estrada de Monchique, Largo Engenheiro Sárrea Prado, Rua D. Maria Luísa e Rua Basílio Teles.

Largo Gil Eanes nos anos 1950 (Foto da colecção de Manuel Mendonça)
Largo Gil Eanes nos anos 1950 (Foto da colecção de Manuel Mendonça)
Largo Gil Eanes nos anos 1960 (Foto de Júlio Bernardo)
Largo Gil Eanes nos anos 1990 (Foto de Costumes e Tradições de Portimão)
Largo Gil Eanes em 2011 (Foto de Nuno Campos Inácio)
Largo Gil Eanes em 2011, edifício da Cristinalda (Foto de Nuno Campos Inácio)

Largo Gil Eanes em 2011, edifício da Pensão Baltazar (Foto de Nuno Campos Inácio)

LARGO FRANCISCO ANTÓNIO MAURÍCIO

Topónimo anterior: Rua da Barbacã

Francisco António Maurício

Natural de Portimão, era filho de outro Francisco António Maurício e de D. Maria da Glória.
Figura popular desta terra, era conhecido por ser rico, celibatário e usurário.
Grande proprietário rural, vivia na sua casa no largo que hoje tem o seu nome, onde funciona a Cervejaria Lúcio.
Desempenhou o cargo de Provedor do Hospital da Misericórdia.
Foi o dono do primeiro automóvel que existiu em Portimão.

TOPONÍMIA:

No Largo Francisco António Maurício localizava-se a antiga barbacã, ou seja, um muro anteposto às muralhas, com função de defesa.
Até à construção do aterro do cais e da ponte rodoviária, o largo era fronteiro ao rio, fazendo parte da, então, Rua da Barbacã, que acompanhava a muralha da vila.
Em finais do Século XIX, junto à casa do Maurício, funcionava um fontanário, propriedade da Sárrea Prado & Comandita.
Em tempos mais recentes teve uma bomba de gasolina e funcionou a esplanada da Cervejaria Lúcio, a farmácia Arade, o Consulado Britânico e vários escritórios.
Actualmente é um espaço de precisa de uma requalificação urgente, até por ser das primeiras imagens da cidade.

LIGAÇÕES:

O Largo Francisco António Maurício faz ligação com as seguintes artérias: Rua Serpa Pinto, Rua da Barca, Rua do Forno, Rua Professor José Buisel e Travessa do Capote.

Largo Francisco António Maurício no início do Século XX
Fontanário do Largo Francisco António Maurício (Postal da colecção de Manuel Mendonça)
Largo Francisco António Maurício (Foto da colecção de Manuel Mendonça)
Largo Francisco António Maurício em 2010, vendo-se a casa do mesmo (Foto de Nuno Campos Inácio)

LARGO ENGENHEIRO SÁRREA PRADO


Topónimo anterior: Inexistente
Topónimo popular: Largo ou Jardim da Estação.

Ângelo Sárrea de Sousa Prado

Engenheiro.
Filho do médico Ângelo de Sousa Prado e de D. Maria Rita Paula de Sárrea, terá nascido, provavelmente, em Lisboa, embora seja neto materno do portimonense Francisco de Paula Sárrea Tavares.
Membro da comissão africana da Sociedade de Geografia de Lisboa.
Deputado nas legislaturas de 1880-81, 1882-83 e 1893.
Foi responsável pelo levantamento topográfico e elaboração de projectos de várias linhas de caminhos-de-ferro em Angola, como a linha entre Luanda e Ambaca (1876); Projecto do caminho-de-ferro do Rio Zaire ao Zambeje (1894).
Organizou e publicou em 1887 uma memória sobre a "Africa occidental portugueza. Angola. Caminho-de-ferro entre Loanda e Ambaca. Primeiros estudos technicos".
Em Portimão concorreu, conjuntamente com Jacinto Parreira e Joaquim d'Almeida Negrão, ao concurso para o abastecimento de água potável à vila, em 1882, sendo fundador da sociedade "Empresa de Abastecimento d'Águas Sárrea Prado & Comandita".
Foi o responsável pela constituição de uma companhia por acções, que tinha como objectivo o abastecimento de água à cidade de Luanda com água do rio Bengo, sendo os accionistas os próprios habitantes da cidade. A sociedade acabou por não ser criada, pela dificuldade em angariar a verba necessária para a concretização do projecto, mas o levantamento topográfico que fez do rio permitiu, posteriormente, o abastecimento da sua água à cidade.
O Engenheiro Ângelo de Sárrea Prado foi, ainda, o responsável pela construção do edifício dos Armazéns Grandela, em Lisboa.

TOPONÍMIA:

O Largo Engenheiro Sárrea Prado foi um terreiro simples até à construção do jardim, em 1947.
Este terreiro era limitado pelo bairro da Cruz da Pedra, edificado após a abertura da Rua Infante D. Henrique; pelo Matadouro Municipal (actual edifício do Polo de Portimão da Universidade do Algarve), inaugurado em 1914; pela Estação de Caminho-de-Ferro, inaugurada em 1922 e pela própria linha de caminho-de-ferro.
Com o desenvolvimento do transporte por comboio, surgiram armazéns, como o da Quimigal. Existia também uma serração, ao lado do matadouro.
Actualmente, com o declínio da linha-férrea, o largo apresenta algum abandono, embora nele se situe o Polo de Portimão da Universidade do Algarve e vários bares e cafés.

LIGAÇÕES:

O Largo Engenheiro Sárrea Prado tem ligações com as seguintes artérias: Largo Gil Eanes, Rua Vila Lobos, Rua António Feliciano Castilho, Rua Cruz da Pedra e Rua do Moinho.

Largo da Estação nos anos 1920 (Postal da Colecção de Manuel Mendonça)
Largo da Estação nos anos 1920 (Postal da Colecção de Manuel Mendonça)
Largo da Estação em 1945, festejando o fim da II Guerra Mundial
Largo Engenheiro Sárrea Prado em 2011 (foto de Nuno Campos Inácio)
Largo Engenheiro Sárrea Prado em 2011, antigo Matadouro Municipal adaptado a Polo de Portimão da Universidade do Algarve (foto de Nuno Campos Inácio)

Largo Engenheiro Sárrea Prado em 2011 (foto de Nuno Campos Inácio)
Largo Engenheiro Sárrea Prado em 2011, edifício da Estação (foto de Nuno Campos Inácio)

domingo, 26 de junho de 2011

LARGO DOM JOÃO II

Topónimos anteriores: Largo do Chafariz, Rua França Borges
Designações populares: Largo António Amaro, Largo da Mó
Dom João II (Lisboa, 04.05.1455-Alvor, 25.10.1495)

A 4 de Maio de 1455 nasce, em Lisboa, o filho do rei D. Afonso V. Os reinos peninsulares vivem uma crise de crescimento que irá ditar o seu futuro próximo, alargar os limites do mundo conhecido pelos europeus, abrir novas fronteiras ao saber, transformar de forma decisiva a forma de viver das pessoas. 50 anos do século XV, viragem na história do mundo. Em 1453, os Turcos conquistam Constantinopla. Emoção na Europa, marco de separação entre a Idade Média e a Idade Moderna. No limiar da Renascença nasce um príncipe que irá ser como que um modelo do governante da época que, mais tarde, Maquiavel irá fixar na sua obra. Príncipe Perfeito, lhe chama o castelhano Lope de Vega. Designação logo adoptada por outros, e sob a qual acaba por passar à história. Embora nem todos os seus contemporâneos o considerem «perfeito»...

Em 1438 morre D. Duarte. D. Afonso V, seu filho, tem apenas seis anos. Por testamento do rei morto, a regência deve pertencer a D. Leonor de Aragão, a rainha-viúva. Porém, enquanto a nobreza exige o cumprimento do testamento, os mesteirais de Lisboa e os povos miúdos opõem-se, acabando por proclamar como regente o Infante D. Pedro, tio de D. Afonso V. A regência de D. Pedro caracteriza-se pelo incremento das navegações, pela protecção à Universidade, pela compilação das Ordenações Afonsinase por mais algumas concessões aos nobres, à generalidade dos quais, no entanto, não agrada.

Em 1448, D. Afonso V assume a direcção do Estado e a nobreza consolida o seu poder. D. Pedro e os seus partidários são perseguidos e, em 1448, em Alfarrobeira, o infante e grande número dos do seu partido são mortos. A nobreza sai completamente vencedora e até ao fim do reinado de D. Afonso V não cessa de obter grandes doações, novos títulos nobiliárquicos, novas tenças... Mas em 1455 nasce em Lisboa o futuro D. João II. Aquele que irá vingar seu tio-avô, o sábio D. Pedro e, submetendo a nobreza, restituir à Coroa o poder alcançado pelo Mestre de Avis.

Após terem tomado Constantinopla, os Turcos cercam Belgrado em 1456. O papa manda pregar uma nova cruzada contra os infiéis. Quase todos os soberanos europeus fazem orelhas moucas. Só D. Afonso V corresponde ao apelo do papa e promete ir combater os Turcos com um exército de doze mil homens, iniciando logo os preparativos. Mas, em 1458, o papa Calisto III morre, a ameaça turca perde força, e a cruzada cai no esquecimento. As tropas que o rei português prometera conduzir aos Balcãs estão prontas para defender a Cristandade. Tinham-se feito grandes despesas e para que todo esse esforço não aparecesse como inútil, o rei resolve utilizar esses meios numa expedição ao Norte de África. E conquista a pequena praça de Alcácer-Ceguer, no estreito de Gibraltar, em 1458. Em 1463-1464 há nova expedição a Tânger, mas que não resulta. Em 1471, Arzila é conquistada e Tânger ocupada. Nesta última campanha participa o príncipe que, com 16 anos, se bate corajosamente e é armado cavaleiro. São estas expedições a África que valem o cognome de o Africano a D. Afonso V e que lhe conferem prestígio entre a nobreza europeia. Por isso, uma parte dos nobres castelhanos lhe vem pedir que intervenha na política interna do seu país e que aceite o trono. O rei de Castela, Henrique IV morre. Tem uma filha, Joana, que grande parte da nobreza diz não ser filha do rei, mas sim do fidalgo Beltrão de la Cueva. Por isso lhe chamam depreciativamente a Beltraneja. Consideram que a infanta Isabel, irmã do rei, é a legítima herdeira ao trono. Mas, estando ela casada com Fernando, filho de João II de Aragão e herdeiro do trono, a sua coroação significará a união dos dois reinos o que, por outra facção, da nobreza não é visto com bons olhos. E D. Afonso V, sonhador e imbuído ainda dos ideais cavaleirescos da Idade Média e que, por outro lado, acalenta o sonho da unidade dos reinos peninsulares sob a hegemonia lusitana, arvora-se em defensor dos direitos de Joana, filha de sua irmã. Quando D. Afonso V parte na campanha militar contra Castela, em 1475, entrega ao príncipe o poder de reger, governar e defender o Reino. Quando, no ano seguinte, o próprio príncipe parte para Castela em auxílio do pai, entrega a regência do reino a D. Leonor, sua mulher. Ao entrar em acção no cerco de Zamora, o príncipe vence Fernando o Católico, na batalha de Toro, embora o resultado global desta batalha seja desfavorável a Portugal, pois as pretensões de D. Afonso V ao trono castelhano ficam desfeitas.

Ainda em 1475, desiludido, D. Afonso V parte para França, onde se vai encontrar com Luís XI, e escreve ao filho, entregando-lhe o reino. D. João, que prossegue a guerra com Castela, é aclamado rei em Santarém em 1477. Mas, o regresso inesperado do pai, interrompe um curto reinado de quatro dias. Em 28 de Agosto de 1481, D. Afonso V, com 49 anos, morre no Paço de Sintra. «E o príncipe seu filho», como nos diz Rui de Pina, « com sinais verdadeiros de grande dor e sentimento, vestido de burel, se encerrou em sua câmara três dias, acabados os quais, vestido então de vestiduras mui ricas e com a cerimónia costumada, logo no derradeiro dia do dito mês, foi pelos nobres do seu reino, que aí se acertaram, levantado por rei, em idade de vinte e seis anos e quatro meses.»

Como vimos, D. Afonso V foi pródigo em conceder novos privilégios à nobreza, restituindo-lhe o poder que tivera antes da subida ao trono de D. João I. Com D. João II tudo se irá modificar. A morte de D. Afonso V causa grande consternação. Rui de Pina, Garcia de Resende, Damião de Gois registam nas suas crónicas o desgosto produzido pela morte de um monarca que reinou durante 40 anos sem trazer grandes benefícios ao País, mas que era simpático ao povo. Porém, a grande consternação foi sentida pela nobreza que via os seus privilégios em perigo. A bem dizer, desde a efémera abdicação de quatro dias que os fidalgos viviam em sobressalto. Não se sabia como iria governar D. João. Terminados os «três dias de dó», D. João aparece para a cerimónia de aclamação que, perante fidalgos e prelados, se celebra com grande brilho em 31 de Agosto de 1481, no recinto do jogo da péla, em Sintra. Aí, o novo rei convoca as Cortes de Évora, que irão realizar-se nos Paços de S. Francisco, em 12 de Novembro do mesmo ano. As cortes abrem com grande solenidade. O doutor Vasco Fernandes de Lucena, chanceler da casa civil, pronuncia o discurso de abertura. E logo aqui fica bem claro que a política regalista do anterior rei terminou, que o poder não irá ser partilhado, nem haverá fronteiras para as prerrogativas reais. O chanceler conclui a oração dizendo: «Quem verdadeiramente obedece ao seu rei faz coisa digna e de sua honra e de seu glorioso nome.». Depois do preito e menagem prestados por cada um dos representantes ao soberano (e todos o prestam, mesmo o duque de Bragança), seguem-se os debates em que os procuradores dos povos falam sem papas na língua, denunciando abusos dos fidalgos, extorsões, violências e crueldades na cobrança ilegítima de tributos. Não se exclui a hipótese de haver um secreto entendimento entre o rei e os procuradores dos povos, dando estes com as suas diatribes pretexto para as medidas que o monarca irá desencadear. Caso se provem os abusos dos nobres contra o povo, o rei pode confiscar todos os bens que se ache serem ilegítimos. No final, o rei agradece o terem falado com tanta clareza e promete enviar corregedores a toda a parte a colher informação de como se faz justiça e cumpre a lei no Reino.

É a partir da oposição feita pelos nobres à intervenção dos corregedores nas terras de que são donatários que se desencadeia a repressão. Os espiões do rei interceptam cartas do marquês de Montemor, irmão do duque de Bragança, em que é proposta a invasão de Portugal pelos castelhanos como maneira de fazer face à tirania do rei. Segundo tudo indica, a conjura vem já do tempo de D. Afonso V, pois já nessa altura os Braganças e os seus aliados temem o príncipe. E toda a oposição ao poder real é eliminada. O duque, primeira figura da nobreza e dono de grande parte do País, é considerado estar envolvido na conspiração, sendo julgado e decapitado na praça do Giraldo em Évora, perante uma grande multidão. A Casa de Bragança é extinta e o seu colossal património absorvido pela Coroa. Historiadores há que afirmam que a honestidade do julgamento não foi exemplar, que houve testemunhas de acusação compradas pelo rei. Em 1484, D. Diogo, duque de Viseu, irmão da rainha, é chamado ao paço e aí apunhalado pelo rei, pois é suspeito de dirigir uma nova conspiração. Muitos membros da nobreza são executados e outros fogem para o estrangeiro. O bispo de Évora, homem importante no reinado de D. Afonso V, é envenenado na prisão. É uma depuração executada a frio, que não olha a meios nem observa limites. Diz Rui de Pina que «sendo senhor dos senhores, nunca quis nem parecer servo dos servidores». Na realidade, o príncipe perfeito destrói o poder dos grandes, mas não se apoia para isso no povo. Todo o poder está concentrado nas suas mãos. Agora pode governar.

Irá reorganizar o Estado, estabelecer ou reforçar as relações diplomáticas com vários países da Europa e, sobretudo, desenvolver a política das navegações iniciada por D. Henrique.

Quando, em 1481, D. João II sobe ao trono, a gesta dos Descobrimentos e da expansão iniciara-se cerca de sessenta anos antes por iniciativa de seu tio-avô, o infante D. Henrique. Até aí, os marcos principais foram: em 1419, João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira desembarcam na ilha de Porto Santo; em 1425, presume-se que terá começado o povoamento e o aproveitamento agrícola da ilha da Madeira; em 1427, é descoberto o arquipélago dos Açores, por Diogo de Silves; em 1434, Gil Eanes transpõe o Cabo do Bojador, iniciando o reconhecimento da costa africana; em 1439, o infante D. Henrique é autorizado pelo regente D. Pedro a povoar as «sete ilhas» dos Açores, onde anteriormente se tinham lançado ovelhas; em 1441, a expedição de Antão Gonçalves atinge a região do rio do Ouro e chega até ao cabo Branco. São capturados dois nativos; em 1444, Dinis Dias chega ao promontório de Cabo Verde; 1455 e 1456, Cadamosto, veneziano ao serviço de D. Henrique, descobre algumas ilhas do arquipélago de Cabo Verde; 1456 - viagem de Diogo Gomes, que explora o estuário do rio Geba, na Guiné, e acha algumas ilhas bijagós; 1460, António de Noli descobre algumas ilhas de Cabo Verde; 1471-72: João de Santarém e Pêro Escobar, descobrem as ilhas de São Tomé e Príncipe; 1472: Fernando Pó descobre a ilha Formosa (que toma hoje o seu nome); 1474: Lopo Gonçalves e Rui de Sequeira atingem o cabo de Santa Catarina. Após a sua subida ao trono, D. João II manda construir a Fortaleza de São Jorge da Mina, na área do Golfo da Guiné.

Apesar de ter sido muitas vezes dito que a tentativa de achamento de um caminho marítimo para a Índia faz parte dos projectos do infante D. Henrique, tudo parece indicar que o «plano da Índia» é concebido por D. João II quando, ainda príncipe, passa a ter a responsabilidade pela orientação prática das navegações. É dele que parte a iniciativa de reconhecer as condições físicas do Atlântico Sul, de que encarrega Duarte Pacheco Pereira, e a decisão de prosseguir cada vez mais para sul as viagens ao longo da costa africana. São também decisão sua as duas viagens de Diogo Cão, que na segunda atinge como ponto mais meridional a serra da Parda; a viagem de Bartolomeu Dias, que leva, em 1488, navios portugueses pela primeira vez ao Índico; e, também, a missão desempenhada por Pêro da Covilhã que, no Indostão, no Golfo Pérsico e na costa oriental de África, permite recolher preciosas informações de carácter económico. Pode parecer estranho que, sabendo, já no início de 1489, da intercomunicabilidade entre os oceanos Atlântico e Índico, por informações colhidas em geógrafos árabes, não tenha decidido mandar nos anos que ainda viveu, uma armada para o comprovar. Há quem acredite ter havido entre a viagem de Bartolomeu Dias e a de Vasco da Gama armadas «secretas». Porém, carecendo essas teorias de prova histórica, é mais aceitável supor que, para concretização do seu plano da Índia, faltava uma peça essencial: a garantia de que o oceano Atlântico era mar «português». E só o Tratado de Tordesilhas, em 1494, o garante. D. Manuel virá a colher os frutos e a glória do descobrimento do caminho marítimo para a Índia que o Príncipe Perfeito tão laboriosa e inteligentemente preparou. Também nisso foi venturoso.

D. João II, consolidação do poder real. Constrói assim os alicerces de um estado moderno. E na ordem externa lança as bases de uma empresa colonial cujos frutos virão a ser colhidos nos reinados seguintes. Porém, o sonho da união dos reinos peninsulares sob uma mesma coroa, acalentado por seu pai, não o abandona completamente. Sabe que, com propósitos semelhantes de hegemonia peninsular, aos reis de Castela e de Aragão agrada a ideia de casar a sua herdeira, a infanta Isabel, com o infante D. Afonso de Portugal. D. João II desenvolve uma estratégia conducente à realização desse casamento, que virá a verificar-se, por entre festejos de grande fausto, em Novembro de 1490.

Pouco tempo irá, no entanto, durar o sonho. Em Julho de 1491 o príncipe D. Afonso morre numa queda de cavalo, à beira-rio, perto do paço de Almeirim. Todo o projecto se desfaz. Dominado por uma profunda dor, D. João II ainda tenta legitimar em Roma D. Jorge, um filho bastardo. Mas a oposição da rainha e as influências dos seus inimigos prevalecem. D. Manuel, duque de Beja, irmão do duque de Viseu que o rei assassinara por suas mãos, sobrinho-neto de D. Afonso V, está agora na primeira linha da sucessão.

Descobrimento ou conhecimento secreto do Brasil? Política de sigilo? Talvez sim, talvez não. O certo é que D. João II impõe um alargamento da área exclusiva do Atlântico: em vez das 100 léguas a oeste de Cabo Verde, que tinham sido propostas como fronteira marítima entre Portugal e Castela, ele exige 370 léguas, abrangendo assim parte da América do Sul. Duarte Pacheco Pereira e Garcia de Resende aludem, de facto a esta táctica de protecção aos avanços náuticos e aos planos de expansão. Por outro lado, o facto de D. João II se ter recusado a apoiar a empresa de Colombo, destinada a descobrir terras que iriam cair na posse da Coroa de Castela, parece também apoiar a tese do conhecimento sigiloso. Na realidade, os resultados obtidos demonstram a inequívoca existência de um plano que privilegia o domínio das navegações na costa de África e o descobrimento de uma rota para o Oriente.

O Tratado de Tordesilhas, de 1494, realizado já depois da viagem de Colombo, em 1492-93, assegura uma vasta parcela do Atlântico como zona exclusiva da Coroa e confirma também a posição de Portugal na sua rota para a Índia. Estabelecida a figura jurídica que se conhece por mare clausum, fica consagrado o direito de as duas grandes potências da época condicionar o direito à navegação por parte de terceiros, nomeadamente dos ingleses. O mundo não terá sido dividido em duas partes, uma para Portugal, outra para Castela, como afirma a imagem popular, mas o Tratado de Tordesilhas, prodígio da política externa de D. João II, atribui a Portugal um poder que nunca fora atingido antes por qualquer potência. Tordesilhas é um monumento à astúcia e à visão de futuro do Príncipe Perfeito.

Todavia, internamente, os ódios da nobreza espoliada são uma fogueira inextinguível. O cognome atribuído ao rei por estes é o de o Tirano. Logo a seguir às bodas do príncipe, no paço de Évora, começa a manifestar-se uma estranha enfermidade no rei. Começam por ser apenas «acidentes e desmaios», mas, por meados de 1495, a doença começa a agravar-se e o seu esbelto aspecto físico vai-se convertendo num corpo balofo e disforme. São quatro anos de luta entre a doença e a vontade férrea do rei. Suspeita-se, com alguma lógica, de envenenamento. Diz Rui de Pina: «Depois do falecimento do príncipe, el-rei, ou pela sobeja tristeza e mortal dor que nele padeceu (como é mais de crer), ou por peçonha que lhe deram, como alguns sem certidão suspeitaram, nunca foi em disposição de perfeita saúde.»

Ao pôr do sol de 25 de Outubro de 1495, com quarenta anos de idade, morre no Alvor D. João II, o Príncipe Perfeito, como ficou para a história. O Tirano, como o considerava a nobreza, cujos poderes despóticos esmagou também com despotismo. Ou, mais simplesmente, el hombre, como o designou Isabel, a Católica. Quando lhe trouxeram a notícia da morte de seu primo, terá dito, num misto de tristeza, admiração e alívio:
«- Morreu o homem!»

D. Manuel, duque de Beja, que D. João II após lhe ter morto o irmão, sempre protegera, sobe ao trono. Logo em 1496, a Casa de Bragança é restaurada. Os nobres refugiados no estrangeiro começam a voltar a Portugal. Porém, sob este aparente apagamento das medidas tomadas pelo Príncipe Perfeito, emerge triunfante o valor da sua obra - pouco depois as armadas portuguesas atingem a Índia, espalham-se pelo Oriente, acham o Brasil... Portugal irá viver as décadas de ouro da sua história.

(Da Crónica de D.João II, de Rui de Pina) -

«Foi el-rei D.João homem de corpo, mais grande que pequeno, mui bem feito e em todos os seus membros mui proporcionado; teve o rosto mais comprido que redondo e de barba em boa conveniência povoado. Teve os cabelos da cabeça castanhos e corredios e porém em idade de trinta e sete anos na cabeça e na barba era já mui cão, de que se mostrava receber grande contentamento pela muita autoridade que à sua dignidade real suas cãs acrescentavam; e os olhos de perfeita vista e às vezes mostrava nos brancos deles umas veias e mágoas de sangue, com que nas coisas de sanha, quando era dela tocado, lhe faziam aspecto mui temeroso. E porém nas coisas de honra, prazer e gasalhado, mui alegre e de mui real e excelente graça; o nariz teve um pouco comprido e derrubado. Era em tudo mui alvo, salvo no rosto, que era corado em boa maneira. E até idade de trinta anos foi mui enxuto das carnes e depois foi nelas mais revolto. Foi príncipe de maravilhoso engenho e subida agudeza e mui místico para todas as coisas; e a confiança grande que disso tinha muitas vezes lhe fazia confiar mais de seu saber e creu conselhos de outrem menos do que devia. Foi de mui viva e esperta memória e teve o juízo claro e profundo; e porém suas sentenças e falas que inventava e dizia tinham sempre na invenção mais de verdade, agudeza e autoridade que de doçura nem elegância nas palavras, cuja pronunciação foi vagarosa, entoada algum tanto pelos narizes, que lhe tirava alguma graça. Foi rei de mui alto, esforçado e sofrido coração, que lhe fazia suspirar por grandes e estranhas empresas, pelo qual, conquanto seu corpo pessoalmente em seus reinos andasse para as bem reger como fazia, porém seu espírito sempre andava fora deles, com desejo de os acrescentar. Foi príncipe mui justo e mui amigo de justiça e nas execuções dela mais rigoroso e severo que piedoso, porque, sem alguma excepção de pessoas de baixa e alta condições, foi dela mui inteiro executor, cuja vara e leis nunca tirou de sua própria seda, para assentar nela sua vontade nem apetites, porque as leis que a seus vassalos condenavam nunca quis que a si mesmo absolvessem.» - (In

http://www.vidaslusofonas.pt/d_joao_ii.htm).

TOPONÍMIA:

Antigo Largo do Chafariz, aqui se localizava um dos chafarizes de Vila Nova de Portimão. Em 1910, com a implantação da República, foi decidida a alteração de vários topónimos da localidade, tendo o Largo do Chafariz sido unido à Rua dos Surradores (actual Rua do Comércio), tendo sido atribuída a essa nova artéria Rua França Borges.

No período do Estado Novo, voltou a haver alteração toponímica, sendo a Rua França Borges novamente dividida e atribuídos os topónimos actuais de Rua do Comércio e de Largo D. João II. A atribuição do nome de D. João II a este largo tem a ver com o facto de o Rei aqui ter passado com o seu séquito na vinda de Monchique para Alvor (como já referimos no tópico da Estrada de Monchique, a entrada para Portimão nesse tempo, para quem vinha da zona da serra era feita percorrendo a Estrada de Monchique, Estrada Velha - actual Rua Dr. Manuel de Almeida -, Largo do Chafariz - actual Largo D. João II - e Rua Portas da Serra). Neste local, o séquito dividiu-se, tendo o Rei seguido para Alvor e o seu filho D. Jorge para Portimão, onde ficou instalado na Rua da Ribeira - actual Rua Júdice Fialho - na casa dos Castelo Branco.

Em finais do século XIX, início do século XX, havia neste largo uma casa, de forma quadrangular, que servia de depósito de água, que vendia o cântaro de água a 5 réis. Havia, igualmente, um carreteiro e um ferrador. Num recanto existiam 4 colunas em pedra, onde os animais de grande porte eram presos e castrados. Nessa altura, o ponto de encontro era a taberna do tio Pinto.

Em tempos mais recentes existiu a Farmácia Rocha e, posteriormente, a Farmácia Carvalho.

Nos anos 1970, foi construído o prédio onde se encontra o Laboratório de Análises de António Mergulhão, tendo o largo adquirido a designação popular do construtor do imóvel, António Amaro.

Com o encerramento do largo ao trânsito, foram colocadas no centro as mós do lagar de azeite, que levou à designação popular de Largo da Mó. Com esse encerramento, nasceram esplanadas nesse local, que se juntaram à do célebre Café Brasil.

O Largo D. João II, tem sido alvo de várias requalificações ao longo dos anos, a última das quais optou pela colocação de calçada portuguesa.

LIGAÇÕES:

O Largo D. João II tem ligações com as seguintes artérias: Rua João de Deus, Rua Dr. Manuel de Almeida, Rua Francisco Bivar, Rua de Olivença, Rua do Comércio, Rua Porta da Serra e Rua 16 de Maio.

Largo D. João II nos anos 1950 (Foto de Gabriela Afonso)
Largo D. João II nos anos 1990 (Foto do Arquivo da C.M.P.)
Largo D. João II nos anos 1990
Largo D. João II
Largo D. João II
Largo D. João II em 2010 (foto de Nuno Campos Inácio)

sábado, 25 de junho de 2011

LARGO DO FOJO

Topónimo anterior: Inexistente, todo o espaço era conhecido por Urbanização do Fojo

Fojo tem dois significados possíveis, que poderão estar na origem do topónimo:
1 - Significa uma armadilha para caça de animais ferozes, que consiste num buraco profundo, cavado no chão e disfarçado com ramos ou galhos.
2 - Cavidade profunda na terra, caverna, gruta ou furna.

Nas proximidades deste local, na Urbanização da Quintinha, foram encontrados vestígios de ocupação pré-histórica, mais evidente no menir que se encontra em "exposição" num jardim desse local. Desconhece-se a origem temporal do topónimo, pelo que poderá derivar de vestígios desses buracos destinados à caça em períodos pré-históricos ou da existência nesse local de uma gruta.

TOPONÍMIA:

Topónimo de atribuição recente, o Largo do Fojo serve de acesso ao Hotel Mirachoro.

LIGAÇÕES:

O Largo do Fojo tem como única ligação a Rua do Fojo.

LARGO DO DIQUE

Topónimo anterior: Inexistente




Uma das principais e mais antigas actividades económicas de Vila Nova de Portimão consistia na exploração das marinhas de sal, localizadas junto aos sapais, ao longo de grande parte da margem direita da foz do Arade.

Embora muitas das salinas tenham sido destruídas com o terramoto de 1755, as que se localizavam na zona actualmente ocupada pelo Largo do Dique e zona do Sapal mantiveram actividade até ao princípio do Século XX.

O aterro do cais de Portimão foi feito, numa primeira fase, até ao Dique, o que confirma ser este mais antigo do que o aterro efectuado. Tal dique deverá ser sido construído para evitar um maior alagamento da zona do Sapal e, simultaneamente, permitir a entrada e saída de água para as salinas que aí existiam.

Observando-se algumas fotografias do início do Século XX verifica-se que toda a zona actualmente ocupada com: o Largo do Dique, Sapal e Largo Heliodoro Salgado era alagadiça, terminando o aterro do cais pouco depois do edifício da actual Casa Inglesa, em direcção à zona do sapal.

Junto ao sapal localizava-se o novo Edifício da Alfândega e várias habitações de famílias ilustres, como a casa de Manuel Teixeira Gomes, ou o palácio do Visconde de Bivar.

TOPONÍMIA:

Como vimos, o Largo do Dique resultou do aterro realizado já no início do Século XX. Esse aterro, que resultou na criação de um novo espaço urbano, aberto e público, foi utilizado, inicialmente, para a colocação de armazéns, como foi o caso do que veio a dar origem ao Cinema Provisório. Pretendendo dar fazer um maior aproveitamento desse espaço, os armazéns foram demolidos e o Largo do Dique passou a receber a feira anual e o mercado mensal, enquanto no canto Sul nasciam os edifícios da Capitania e do Cinema.

O facto de ser um espaço aberto, próximo do centro da cidade, fez com que fosse desde sempre usado como parque de estacionamento, primeiro ocupado por carrinhas puxadas por muares, depois por carros (particulares e taxis) e, finalmente, pelos autocarros da Castelo & Caçorino.

Alvo de requalificação na década de 1990, o Largo do Dique, que mantém a traça arquitectónica do início do Século XX, foi adaptado a parque de estacionamento.

Em 2010 foi colocado no Largo do Dique uma réplica do antigo coreto de Portimão, inaugurado no dia 25 de Abril.

LIGAÇÕES:

O Largo do Dique tem ligações com as seguintes artérias: Praça Manuel Teixeira Gomes, Rua Cândido dos Reis, Avenida Guanaré e Avenida Dom Afonso Henriques.

Zona do Sapal e Largo do Dique, na foto mais antiga de Portimão que se conhece (foto da colecção de Manuel Mendonça)

Salinas da Zona do Sapal e Largo do Dique
Antigo Cinema Provisório no Largo do Dique (foto da colecção de Manuel Mendonça)
Cinema de Portimão e Largo do Dique
Largo do Dique
Parque de estacionamento do Largo do Dique
Estação de Serviço no Largo do Dique
Carrinha de Portimão no Largo do Dique
Cinema de Portimão
Largo do Dique no dia da inauguração do coreto de Portimão